Em tempos de Copa do Mundo, quando as convicções políticas se misturam ao ufanismo esportivo, vemos frequentes demonstrações apaixonadas de nacionalismo e juras de amor a seleção. Interessante que grande parte, senão a maioria, não são amantes de futebol, mas "vestem" a camisa da seleção brasileira com impeto de um soldado indo pra mais justa guerra.
Demonstrações de ufanismo, na qual proclama-se o "orgulho de ser brasileiro" são constantes e mais pungentes, na mesma proporção que o ódio àqueles que torcem contra e criticam nosso amado Brasil.
Mas o que se define como "orgulho de ser brasileiro"?
Bom, partamos do principio que nascemos aqui por um acaso (nossos pais estava aqui no momento de nosso nascimento) e não por escolha. Além disso, a opção de viver aqui é igualmente deles, já que nunca vimos uma criança de 4 anos pegando suas malas e migrando para outro país. Então esse amor à pátria mãe não pode bem ser um conformismo? Sim e não.
Sim, na medida que fecha-se os olhos as mazelas e problemas sociais, políticos, culturais, etc. Na medida em que justifica-se tudo de ruim que há em nosso país com um discurso que varia entre o "Ame-o ou deixe-o" à argumentação de que estes mesmos problemas também existem em outros países (o que não é mentira, mas um erro não justifica outro, como já dizia meu pai).
Acredito que esse amor a pátria que o brasileiro ufanista adora proclamar aos sete cantos (muitas vezes seguido de um "apesar de"), parece mais uma paixão cega. Assim como aquela mulher que apanha do marido violento, mas que diz que o ama apesar dele ser "um pouco nervoso", e segue na sua masoquista rotina.
Faço uma revelação agora: Não, não tenho nenhum orgulho de ser brasileiro. Não vejo razões para ter, não vejo o que nosso país tem de melhor do que os outros.
Porém, acredito que também não há motivos também para se ter orgulho de ser japonês, norte-americano, inglês, alemão, etc, pois definir sua nacionalidade desta forma é um reducionismo estúpido.
Conheço muitas pessoas (amigos meus) que preferem viver em outros países e os motivos por ele apresentados são bem coerentes. Da mesma forma, conheço estrangeiros que melhoraram muito de vida ao migrarem para o Brasil e se encantam com nossa terra. A lição é que amamos o lugar no qual construímos, colhemos mais. Nada mais natural!
Eu próprio sempre proferi aos quatro ventos minha vontade de morar fora, mas hoje vejo que, mesmo pertencendo a uma classe social complicada, conquistei muitas coisas que não teria hoje em outros países.
O fato é que há diversos problemas, muitos mesmo, que deveriam ser mais severamente repudiados por qualquer brasileiro, são tolerados e aceitos como normais pela nossa sociedade. Nos indignamos mais com a fratura do principal atacante da nossa seleção, que receberá um tratamento de primeira e voltará a receber seus milhões na Europa, do que a queda de um viaduto feito as pressas que mata vários trabalhadores deixando órfãos e desamparados... Toleramos o jeitinho, a propina, o "levar vantagem", a falta de educação (em todas as formas), a ignorância, a corrupção, o preconceito nas doses leves do cotidiano, sem saber que isso alimenta estes mesmos males quando feitos em larga escala.
Cada dia mais vejo que isso não mudará pois ser brasileiro é isso, mesmo que muitos digam que não. É ser um povo averso ao preto no branco, mas que adora inifitos tons de cinza. Que vê sutilezas e tem medo de sujar as mãos, que é contra um lei mais dura com medo de um dia poder ser réu. E por aí vai...
Não sei como é em outros países e não vou dar uma de "babar ovo" por estrangeiro de primeiro mundo, sendo ingênuo achando que lá é o paraíso. Mas é fato que existem lugares melhores, em diversos aspectos, para se viver!.
Acho que a crença patriótica é uma falácia de dominação e cabresto, assim como a religião, que te obrigam a adorar, idolatrar algo que muitas vezes não te faz bem. Se os brasileiros fossem menos "patrióticos" e apaixonados por seu país, se enxergassem e repudiassem os defeitos que temos, seria o primeiro passo para conserta-los pois não iriamos tolerar, e principalmente, não iríamos ser, como a esposa que apanha do marido, fazendo de conta que não existe problema.

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