Não vou entrar no mérito de que quanto podemos escolher e decidir sobre nossas vidas, sob o risco de entrar em vieses filosóficos e teológicos, entretanto, dentro da esfera do cotidiano, frequentemente temos a opção ao direito de escolha, o qual abrimos mão em troca de uma cômoda cegueira.
Bem, para ilustrar este artigo escolhi a belíssima capa do terceiro disco da banda britânica Iron Maiden, e logo explicarei o porquê.
Nos dias atuais, ao ler jornais, ver TV, acompanhar conversas nos bares ou rede sociais, nos deparamos com um conjunto extraordinário de opiniões e conclusões. A grande maioria, defendidas com unhas e dentes. No entanto, se fizermos uma análise mais aprofundada veremos facilmente a fragilidade da sustentação de tais opiniões: uma mistura indigesta de preconceitos com fatos pontuais tomados por verdades genéricas.
Coisas bestas, como comparar a adesão a uma"vaquinha" para retirar a tatuagem de um pobre coitado, feita sob tortura, com o descaso numa campanha para salvar uma criança com câncer. Na maioria das vezes, não se verifica fontes, fatos, pormenores e fica apenas a opinião rasa utilizada para reforçar alguma crença que a pessoa já tem.
Esse tipo de atitude gera um contingente enorme, uma massa gigantesca de pessoas comprometidas com dogmas e ideologias, das quais não é permitido, nunca, sob pena capital, haver discordância ou questionamento.
Reconhece esta situação?
Muito bem. Ela é realmente a grande maioria, em maior ou menor grau.
Este fenômeno está presente em atividades essencialmente grupais, comunitárias como a politica, a religião,enfim, a vida em sociedade.
Porém, peço licença para lançar algumas provocações contra esta mentalidade coletiva:
1- Livros, textos, escritos, videos... qualquer forma de registro pode ser contestado e NENHUM constitui-se verdade suprema. As ideias de Marx não são infalíveis e crer que a Bíblia foi escrita por Deus (indiretamente) e não por homens (sem nada de Deus no coração), repletos de segundas intenções, é opção do leitor. Wittgenstein disserta sobre isso em suas ideias sobre o consenso provisório, ou seja, ideias que permeiam a sociedade apenas por um período- Lembrem que há apenas 500 anos se acreditava que a Terra era quadrada...
Dentro desta premissa, reforço que todo texto é produzido segundo uma intenção especifíca, ou seja, não é inócuo, vazio de significado ou entendimentos ocultos. Não se trata da bobagem de "mensagem subliminar", mas de utilizar o discurso, o composição textual da linguagem para criar significado, logo gerar ação. Assim, TODOS os textos produzidos até hoje carregam um sentido oculto, e somente por isso já cabe um questionamento sobre seu contexto (ou seja, as influências do momento em que foi produzido). Além disso, quantas traduções, recortes, cortes e inserções foram feitas até hoje?
2- O que se lê não é o que se escreve, ou seja, além de toda a problemática envolvendo os textos e sua problemática, o leitor vai criar o sentido no qual quer entender o texto. Esse sentido vem das crenças e vontades do leitor.
3- Ainda sobre os textos, quantos fatos que conhecemos realmente presenciamos? E mais, daqueles em que fomos testemunhas oculares, nossas lembranças, nossa compreensão do fatos é realmente verdadeira ou optamos por uma versão na qual queremos lembrar (não necessariamente favorável, mas a escolhida). Assim, todo o conhecimento do mundo é feito por interpretações dos fatos e ao lermos livros ou vermos filmes, documentários, etc, não estamos vendo fatos mas vendo uma interpretação (tendenciosa e repletas de intencionalidade) dos acontecimentos.
Poderia, mas não usarei a Bíblia como exemplo. Ao invés disso, peguemos o guerrilheiro Maringhella. Dependo do autor, ele será retratado como um herói ou como um bandido; e o leitor também escolhe qual versão quer acreditar e reforça o sentido que satisfaz suas crenças. Acreditar na isenção e na idoneidade dos autores é questão de escolha - e concordo que é dificil viver duvidando de tudo e todos.
4- Da mesma forma, acreditar em ideias, ideologias, teorias, etc é uma opção de cada um. Um fiel pode até jurar de pé junto que Deus existe, mas sempre, em última instancia, sua crença é simplesmente opção sua. Assim como, fechar os olhos à buracos e incongruências presentes nestas teorias também é uma opção de cada um.
5- Durante nossa vida escolhemos nossas crenças e criamos nossos códigos de valores, buscando sempre nosso conforto individual, ou seja, aquilo que no beneficie. Todas as pessoas são assim, mesmo quando queremos acreditar q somos odiados e rejeitados por todos, há um benefício (doentio, sim) escondido. Os psicólogos sabem bem disso e parte de seu trabalho é desmascarar esses egos.
Porém, a disposição em mudar ou transformar essas crenças e valores é a variável que distingui cada ser humano!
Diante dessa disposição, iremos imergir, mais ou menos, em questionamentos e investigações, tendo de ter, mais ou menos, estomago para o que iremos, inadvertidamente, descobrir. É uma busca sem fim pois não há uma resposta única e conclusiva, mas diversas versões e muitas delas inacessíveis a nossa parca, limitada e controladora compreensão.
Assim, é perfeitamente compreensível que muitas pessoas optem por não adentrar essa perigosa aventura. Alias, a grande maioria opta por ignorar que ela exista...
E onde quero chegar com tudo isso? - e agora explico a imagem acima.
Muitas pessoas, grupos, associações, etc, sabem do que estou falando (não é nenhuma novidade e basta um curso básico de filosofia e linguística) e usam isso a seu favor para o empoderamento próprio.
Esse empoderamento pode ser em prestigio, influência, dinheiro ou o que for e para se alcançar benefícios igualmente diversos. Um líder religioso, um politico famoso, um empresário de sucesso, um chefe de quadrilha... E seu sucesso depende da recusa, da inaptidão de seus seguidores de enxergarem a fragilidade de suas "verdades".
A imagem acima retrata o mascote da banda Eddie manipulando o demônio que manipula o homem. Independente do sentido religioso, vemos o jogo de cordas das marionetes.
Não existe verdade única e suprema, não existe um só caminho. A busca é eterna e nunca será satisfeita. Porém a alternativa é a alienação a uma crença, na qual vive-se preso, abre-se mão do livre-pensar em troca do conforto de ter alguém que pensa para si; exime-se de responsabilidade.
Bem, para ilustrar este artigo escolhi a belíssima capa do terceiro disco da banda britânica Iron Maiden, e logo explicarei o porquê.
Nos dias atuais, ao ler jornais, ver TV, acompanhar conversas nos bares ou rede sociais, nos deparamos com um conjunto extraordinário de opiniões e conclusões. A grande maioria, defendidas com unhas e dentes. No entanto, se fizermos uma análise mais aprofundada veremos facilmente a fragilidade da sustentação de tais opiniões: uma mistura indigesta de preconceitos com fatos pontuais tomados por verdades genéricas.
Coisas bestas, como comparar a adesão a uma"vaquinha" para retirar a tatuagem de um pobre coitado, feita sob tortura, com o descaso numa campanha para salvar uma criança com câncer. Na maioria das vezes, não se verifica fontes, fatos, pormenores e fica apenas a opinião rasa utilizada para reforçar alguma crença que a pessoa já tem.
Esse tipo de atitude gera um contingente enorme, uma massa gigantesca de pessoas comprometidas com dogmas e ideologias, das quais não é permitido, nunca, sob pena capital, haver discordância ou questionamento.
Reconhece esta situação?
Muito bem. Ela é realmente a grande maioria, em maior ou menor grau.
Este fenômeno está presente em atividades essencialmente grupais, comunitárias como a politica, a religião,enfim, a vida em sociedade.
Porém, peço licença para lançar algumas provocações contra esta mentalidade coletiva:
1- Livros, textos, escritos, videos... qualquer forma de registro pode ser contestado e NENHUM constitui-se verdade suprema. As ideias de Marx não são infalíveis e crer que a Bíblia foi escrita por Deus (indiretamente) e não por homens (sem nada de Deus no coração), repletos de segundas intenções, é opção do leitor. Wittgenstein disserta sobre isso em suas ideias sobre o consenso provisório, ou seja, ideias que permeiam a sociedade apenas por um período- Lembrem que há apenas 500 anos se acreditava que a Terra era quadrada...
Dentro desta premissa, reforço que todo texto é produzido segundo uma intenção especifíca, ou seja, não é inócuo, vazio de significado ou entendimentos ocultos. Não se trata da bobagem de "mensagem subliminar", mas de utilizar o discurso, o composição textual da linguagem para criar significado, logo gerar ação. Assim, TODOS os textos produzidos até hoje carregam um sentido oculto, e somente por isso já cabe um questionamento sobre seu contexto (ou seja, as influências do momento em que foi produzido). Além disso, quantas traduções, recortes, cortes e inserções foram feitas até hoje?
2- O que se lê não é o que se escreve, ou seja, além de toda a problemática envolvendo os textos e sua problemática, o leitor vai criar o sentido no qual quer entender o texto. Esse sentido vem das crenças e vontades do leitor.
3- Ainda sobre os textos, quantos fatos que conhecemos realmente presenciamos? E mais, daqueles em que fomos testemunhas oculares, nossas lembranças, nossa compreensão do fatos é realmente verdadeira ou optamos por uma versão na qual queremos lembrar (não necessariamente favorável, mas a escolhida). Assim, todo o conhecimento do mundo é feito por interpretações dos fatos e ao lermos livros ou vermos filmes, documentários, etc, não estamos vendo fatos mas vendo uma interpretação (tendenciosa e repletas de intencionalidade) dos acontecimentos.
Poderia, mas não usarei a Bíblia como exemplo. Ao invés disso, peguemos o guerrilheiro Maringhella. Dependo do autor, ele será retratado como um herói ou como um bandido; e o leitor também escolhe qual versão quer acreditar e reforça o sentido que satisfaz suas crenças. Acreditar na isenção e na idoneidade dos autores é questão de escolha - e concordo que é dificil viver duvidando de tudo e todos.
4- Da mesma forma, acreditar em ideias, ideologias, teorias, etc é uma opção de cada um. Um fiel pode até jurar de pé junto que Deus existe, mas sempre, em última instancia, sua crença é simplesmente opção sua. Assim como, fechar os olhos à buracos e incongruências presentes nestas teorias também é uma opção de cada um.
5- Durante nossa vida escolhemos nossas crenças e criamos nossos códigos de valores, buscando sempre nosso conforto individual, ou seja, aquilo que no beneficie. Todas as pessoas são assim, mesmo quando queremos acreditar q somos odiados e rejeitados por todos, há um benefício (doentio, sim) escondido. Os psicólogos sabem bem disso e parte de seu trabalho é desmascarar esses egos.
Porém, a disposição em mudar ou transformar essas crenças e valores é a variável que distingui cada ser humano!
Diante dessa disposição, iremos imergir, mais ou menos, em questionamentos e investigações, tendo de ter, mais ou menos, estomago para o que iremos, inadvertidamente, descobrir. É uma busca sem fim pois não há uma resposta única e conclusiva, mas diversas versões e muitas delas inacessíveis a nossa parca, limitada e controladora compreensão.
Assim, é perfeitamente compreensível que muitas pessoas optem por não adentrar essa perigosa aventura. Alias, a grande maioria opta por ignorar que ela exista...
E onde quero chegar com tudo isso? - e agora explico a imagem acima.
Muitas pessoas, grupos, associações, etc, sabem do que estou falando (não é nenhuma novidade e basta um curso básico de filosofia e linguística) e usam isso a seu favor para o empoderamento próprio.
Esse empoderamento pode ser em prestigio, influência, dinheiro ou o que for e para se alcançar benefícios igualmente diversos. Um líder religioso, um politico famoso, um empresário de sucesso, um chefe de quadrilha... E seu sucesso depende da recusa, da inaptidão de seus seguidores de enxergarem a fragilidade de suas "verdades".
A imagem acima retrata o mascote da banda Eddie manipulando o demônio que manipula o homem. Independente do sentido religioso, vemos o jogo de cordas das marionetes.
Não existe verdade única e suprema, não existe um só caminho. A busca é eterna e nunca será satisfeita. Porém a alternativa é a alienação a uma crença, na qual vive-se preso, abre-se mão do livre-pensar em troca do conforto de ter alguém que pensa para si; exime-se de responsabilidade.


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