Jovens demais para morrer?

De Leandro Sartori Molino

De maneira inexorável, estamos inseridos na “Era da Informação”. A velocidade com que a informação, seja ela qual for, cobre os mais longínquos pontos do Globo Terrestre apenas evolui. Trata-se de um movimento irrefreável.
Pertencemos, portanto, à primeira geração de humanos que depende, necessariamente, se adequar e se adaptar a uma realidade nunca antes vivenciada. Estamos atingindo a “maioridade” sem que a nossa memória atávica encontre respostas às indagações sobre os tempos atuais.
Nossos filhos pertencem a uma espécie de humanos diferente da nossa. Parecem nascer aptos ao manejo de smartphones e tablets. Conseguem interagir com uma tela “touchscreem” de maneira natural e quase nada dramática. Entendem e aceitam o conceito e a relevância dos “aplicativos” de maneira franca. Compreendem em suas conversas eletrônicas palavras resumidas e reduzidas sem sentido algum. Nós, no entanto, dependemos de certo “treino”, adestramento, para a realização das mesmas funções.
Muitas vezes, ao observar meu filho de 14 anos de idade manejando seu videogame, seu tablet e seu smartphone, sinto-me como um pastor alemão, aquele já ultrapassado cão-de-guarda, “moda” desde o pós II Grande Guerra até a popularização de rothweilers e pitbulls.
Um sentimento estranho me acomete, pois me sinto como um verdadeiro “morto-vivo”, algo que já não serve para muita coisa a não ser causar certa repulsa.
Dia desses, no entanto, recebi através de uma dada mídia social um caloroso alento: um velho amigo, renomado e excelente profissional, chefe-de-família exemplar, se expôs desavergonhadamente e assumiu a sua incapacidade nos duelos de videogame embatidos com seu filho. De 8 anos e meio de idade...
Todavia, a mesma informação que me acalentou acabou por consolidar uma triste opinião sobre a geração a qual pertenço: estamos nos tornando ultrapassados em uma velocidade tão ou mais rápida do que a do fluxo de informações globais. Não existem “terabytes” suficientes à sua mensuração.  
Nossos pais são, em sua absoluta maioria, mesmo com mais de 60 anos de idade, altamente producentes até hoje em dia. As mudanças que estão sendo recentemente perpetradas no contexto da vida em sociedade e, portanto, na economia em geral, ainda não conseguiram destituir as suas capacidades e suas experiências.
Contudo, a minha compreensão sobre o futuro próximo não permite vislumbrar a maioria das pessoas de minha geração com mais de 60 anos altamente relevantes do ponto-de-vista social e econômico.
E, por que? Pelo simples e inexorável fato de que a velocidade do trânsito e da transmissão de informações demolirá os paradigmas até hoje vigentes. Fará surgir um novo modelo de comportamento social, um novo tipo. E aqueles que ao menos não se adequarem a ele estarão fadados ao esquecimento, à superação.
Nossa geração, acredito, terá que utilizar algo que ainda não nos foi suprimida, mesmo diante desse quadro de aprofundadas alterações do contexto ao nosso redor: a capacidade de se superar, de se metamorfosear.
Os “sessentões” da nossa geração, caso desejem permanecer ativos e relevantes em suas carreiras, funções, profissões e atribuições até lá, deverão se transformar em um ser diferente daquele que exsurge quando vejamos os nossos olhos e praticamos o necessário exercício de imaginação.
Teremos que vencer, além dos receios que naturalmente se apresentam aderidos a qualquer processo de mudança, o condicionamento que temos, atualmente, inseridos em nossa memória psíquica.
A receita, para tanto, não me parece das mais simplistas: observar nossos pais, compreender, em todas as suas variáveis, seus acertos e seus equívocos perpetrados ao longo dos anos, e nos ofertar aos nossos sucessores como detentores de algo que eles não disporão.
E o que poderá faltar aos nossos mais do que desenvolvidos, tecnológicos e “linkados” sucessores? Exatamente a capacidade de viver e de naturalmente evoluir sem o apoio ou a dependência de todas essas ferramentas que já estão à disposição e daquelas que ainda advirão.
Apesar de pertencermos a uma geração condenada precocemente ao ostracismo, poderemos reverte esse sombrio prognóstico e nos tronamos sobreviventes nessa guerra.
Prevaleceremos. Mesmo que apenas enquanto vendedores de um método que nenhuma tecnologia consegue artificialmente reproduzir: o de se manter firme, íntegro e importante sem a necessidade do acionamento de nenhum “comando” externo.
Não precisaremos de GPS algum, de nenhum “gadget”, para encontrarmos o futuro e transformá-lo no nosso presente. Saberemos, com humildade e inteligência, ser sábios suficientemente para dividi-lo com quer que seja.   










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